QUEM É PERFEITO?

Bpo. Ricardo Raymundo

 “… por­que em parte conhe­ce­mos e em parte pro­fe­ti­za­mos; mas quando vier o que é per­feito, então o que é em parte será aniquilado.”1Corín­tios 13.9-10. 

 

Ques­tão

A quem se refere o tre­cho supra acerca do per­feito. Quem é o per­feito? Será a pes­soa de Cristo, a quem espe­ra­mos? Será um homem per­feito, sem defeito algum? Ou será a matu­ri­dade do cris­tão atin­gida por sua submissão ao longo dos anos como resul­tado da sua expe­ri­ên­cia com Cristo?

Con­texto bíblico

Visto que a her­me­nêu­tica per­feita é his­tó­rica e gra­ma­ti­cal, tere­mos de recor­rer a ambos os fatores a fim de che­gar­mos a uma con­clu­são credível. 

Come­ce­mos por con­si­de­rar alguns tre­chos do Antigo Tes­ta­mento onde apa­rece o vocá­bulo per­feito. Em Gn 6.9 está escrito: “Estas são as gera­ções de Noé. Era homem justo e per­feito em suas gera­ções e andava com Deus.” A Sep­tu­a­ginta, ver­são grega do AT, tra­duz a pala­vra hebraica ‘sha­lem’ por ‘teleios’ que é mas­cu­lino, e sig­ni­fica homem com­pleto nos aspec­tos físico, men­tal e moral.

“Quando Abrão tinha noventa e nove anos apareceu-lhe o Senhor e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha pre­sença, e sê per­feito;”(Gn 17.1). O vocá­bulo per­feito, aqui, é  ‘amemp­tos’, tam­bém mas­cu­lino, que sig­ni­fica homem sem defeito.

Quando da con­sa­gra­ção do Tem­plo em Jeru­sa­lém, Salo­mão con­cla­mou o povo e rogou que “seja o vosso cora­ção per­feito (teleios) diante do Senhor nosso Deus para andar­des nos seus esta­tu­tos e guar­dar­des os seus man­da­men­tos como hoje o fazeis.” (1 Rs 8:61). Porém, pas­sa­dos alguns anos, Salo­mão já não era o mesmo homem: “Pois suce­deu que, no tempo da velhice de Salo­mão, suas mulhe­res lhe per­ver­te­ram o cora­ção para seguir outros deu­ses; e seu cora­ção já não era per­feito (teleios) para com o Senhor seu Deus como fora o de Davi, seu pai;” (1 Rs 11:4).  

O autor de Pro­vér­bios diz que “a vereda dos jus­tos é como a luz da aurora que vai bri­lhando mais e mais até ser dia per­feito.” (Pv 4:18).  O vocá­bulo hebraico aqui é ‘kun’ que sig­ni­fica esta­be­le­cido, fixo; enquanto o grego da Sep­tu­a­ginta tra­duz por ‘katorthôse’ cujo sig­ni­fi­cado é estar direito, neste caso o sol estar a pino, ao meio dia, o dia perfeito. 

Quanto ao Novo Tes­ta­mento ini­ci­a­mos com o relato de Mateus 5.48 que diz: “Por­tanto, sede vós per­fei­tos (teleioi) como é per­feito (teleios) o vosso Pai celes­tial.” E nou­tra oca­sião “Disse-lhe Jesus: Se que­res ser per­feito, (teleios) vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, segue– me.” (Mt 19.21). Neste caso, a per­fei­ção está con­cen­trada, não na venda dos bens, mas no fato de estar dis­posto a dei­xar tudo para seguir Jesus.

Agora che­ga­mos ao ver­sí­culo supra escrito pelo Após­tolo Paulo: “mas, quando vier o per­feito, então o que é em parte será ani­qui­lado.” (1 Co 13.10). Nesta frase ‘o per­feito’ no grego ‘to teleion’ são artigo e adjetivo neu­tro, o que implica con­si­de­rar, não uma pes­soa, mas a qua­li­dade dessa pes­soa, que é a per­fei­ção. Isto é, a matu­ri­dade atin­gida medi­ante os anos e a expe­ri­ên­cia diá­ria. Paulo quer dizer que, no iní­cio da car­reira cristã, o nosso conhe­ci­mento e o nosso dom pro­fé­tico são imper­fei­tos, mas, quando atin­gir­mos a matu­ri­dade não haverá mais imper­fei­ção. Será tal como o sol, quando está a pino e alu­mia mais cla­ra­mente, e quando é dia perfeito.

Assim, tam­bém os cris­tãos desen­vol­vem os talen­tos e dons espi­ri­tu­ais até atin­gi­rem a matu­ri­dade, como nos acon­se­lha Paulo: “Irmãos, não sejais meni­nos no enten­di­mento; na malí­cia sede cri­an­ci­nhas, mas tornai-vos adul­tos no enten­di­mento”. (1 Co 14.20). E dá-nos o seu exem­plo pes­soal: “Quando eu era menino, pen­sava como menino; mas, logo que che­guei a ser homem, aca­bei com as coi­sas de menino.” (1 Co 13.11).  

Isto quer dizer que os cris­tãos devem desen­vol­ver as suas capa­ci­da­des cog­ni­ti­vas e sen­si­ti­vas de modo a vive­rem como homens e mulhe­res madu­ros, com uma mente exer­ci­tada na Pala­vra de Deus. Assim como o após­tolo escreve aos cris­tãos de Éfeso: “E ele deu uns como após­to­los, e outros como pro­fe­tas, e outros como evan­ge­lis­tas, e outros como pas­to­res e mes­tres, tendo em vista o aper­fei­ço­a­mento dos san­tos para a obra do minis­té­rio, para edi­fi­ca­ção do corpo de Cristo até que todos che­gue­mos à uni­dade da fé e do pleno conhe­ci­mento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da esta­tura com­pleta de Cristo, para que não mais seja­mos meni­nos incons­tan­tes, leva­dos ao redor por todo vento de dou­trina, pelo engano dos homens, pela astú­cia ten­dente à maqui­na­ção do erro;” (Ef  4.11–14).

Con­clu­são

Paulo con­fessa reco­nhe­cer que, não tendo ainda atin­gido a per­fei­ção, se esfor­çava para consegui-la, e acon­se­lha os cris­tãos a seguir o seu exem­plo, deste modo: “Não que já a tenha alcan­çado, ou que seja per­feito; mas vou pros­se­guindo, para ver se pode­rei alcan­çar aquilo para o que fui tam­bém alcan­çado por Cristo Jesus… Mas, naquela medida de per­fei­ção a que já che­gamos, nela pros­si­ga­mos.” (Fp 3.12,16). 

E o após­tolo con­ti­nua acon­se­lhando os colos­sen­ses: “Cristo em vós, a espe­rança da gló­ria, o qual nós anun­ci­a­mos, admo­es­tando a todo homem, e ensi­nando a todo homem em toda a sabe­do­ria para que apre­sen­te­mos todo homem per­feito em Cristo;… E, sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vín­culo da per­fei­ção.” (Cl 1.27,28; 3.14). 

Ter­mi­na­mos com o tre­cho de Paulo envi­ado a Timó­teo: “Toda a Escri­tura é divi­na­mente ins­pi­rada e pro­vei­tosa para ensi­nar, para repre­en­der, para cor­ri­gir, para ins­truir em jus­tiça; para que o homem de Deus seja per­feito e per­fei­ta­mente pre­pa­rado para toda a boa obra.” (2 Tm 3.16,17).

Paz


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