AS CINCO DESCULPAS DE MOISÉS

 

 
AS CINCO DESCULPAS DE MOISÉS– EX 3-5
 
 
 
Introdução
 
A vida de Moisés não começou em Hebreus 11, o “Quem é Quem da Fé”. Ela se iniciou junto a um arbusto ardente, em conversa com Deus.
Moisés não disse ousadamente:
- “Sim, Senhor, que Tua vontade seja feita”.
A conversa foi mais ou menos como:
- “Senhor, não podes enviar outra pessoa?”.
 
A imagem poderosa de um príncipe egípcio, profeta e chefe militar que libertou milhões de pessoas da escravatura é aquela que nos vem das histórias de nossa infância. Pensávamos:
“Eu nunca poderia ser como ele”. Mas uma leitura acurada da narrativa bíblica nos ajuda a ver Moisés sob luz mais realista. 
Moisés cresceu como um príncipe do Egito, mas fugiu de Faraó depois de se ter interposto numa briga entre um hebreu e um egípcio, e matado este último, quando tinha 40 anos de idade. Tendo ficado exilado no deserto por cerca de 40 anos, Moisés, com 80 anos a essa altura da narrativa, estava pastoreando ovelhas próximo ao monte Horebe, quando viu algo estranho: Chamas subiam de um arbusto com um anjo no meio, mas nem ele nem a sarça se queimavam.
Ao Moisés aproximar-se do arbusto, ouviu uma voz chamando-o pelo nome. A voz identificou quem falava: “Eu Sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó...” (Ex 3.6). Deus, então, participou seu plano a Moisés: Ele tinha ouvido os clamores de seu povo por causa da opressão da escravidão egípcia, e viera para resolver a situação. O Senhor queria que Moisés se unisse a Ele na libertação do povo (Ex 3.7-10). Nesse ponto, Moisés começou a apresentar uma série de desculpas que podem parecer familiares a você. Vejamos em Êxodo 3:
 
Desculpa nº 1 
 
“Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?” (Ex 3.11)
 
Contexto: “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito. Então, disse Moisés a Deus: Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?” (Ex 3.10-11)
 
Moisés tinha estado apascentando ovelhas durante 40 anos e o pensamento de um pastor, a quem os egípcios desprezavam (Gn 46.34), ir falar com um rei era contrário ao protocolo usual.
A resposta de Deus foi clara:
“Eu serei contigo; e este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte” (v.12)
 
Deus não somente prometeu sua presença, mas também deu a Moisés a certeza de que sua missão seria bem sucedida. Mesmo na presença de um rei terrestre, ele não tinha razão para temer ou sentir-se inferior. Contudo, Moisés não entendeu a coisa dessa maneira.
 
Desculpa nº 2 
 
“Eis que, quando eu vier aos filhos de Israel e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós outros; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome?
Que lhes direi?”(Ex 3.13)
 
Outra boa interrogação. Se você for dizer a centenas de milhares de pessoas que foi convidado a comandar sua libertação, seria bom ter o nome da pessoa de quem você recebeu tal autoridade. Os nomes eram muito importantes para a mentalidade semita porque descreviam o caráter do indivíduo. A resposta de Deus: “Eu Sou o que Sou” (v. 14).
Nas Escrituras, depois de Deus se ter revelado a seu povo, eles freqüentemente o descreviam de uma nova maneira, à medida que o iam conhecendo (por exemplo, “meu forte libertador”, “minha esperança”, “Deus de toda consolação”). Os judeus sempre reconheceram Eu Sou como o nome que distinguia o Deus verdadeiro dos deuses falsos. Não havia engano sobre quem enviava Moisés em sua missão. Deus não apenas disse quem Ele era, mas também exatamente a quem falar o que dizer, e lhe deu a garantia de que eles o ouviriam. Agora Moisés está pronto para sua missão. Bem, ainda não!
 
Desculpa no 3 
 
“Mas eis que não crerão, nem acudirão à minha voz, pois dirão: O Senhor não te apareceu” (Ex 4.1)
 
Notemos isso: Deus acabara de assegurar a Moisés que os líderes do povo o ouviriam. Está ficando bem claro que Moisés não era um sujeito bem disposto. Contudo, Deus sabia que a fé de Moisés ainda precisava ser fortalecida. A resposta de Deus foi clara: deu-lhe sinais: (vv. 6-9)
 
Desculpa no 4 
 
“Ah! Senhor! Eu nunca fui eloqüente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo; pois sou pesado de boca e pesado de língua”. (Ex 4.10)
 
À luz do que estava acontecendo – Deus
 
1º) Prometera sua companhia
2º) Assegurou do êxito de sua missão 
3º) Forneceu sinais miraculosos 
... e Moisés continuava relutante!
Não era um sinal de humildade ou reconhecimento da própria incapacidade. Ele revelou incredulidade na capacidade divina.
 
 “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.9)
 
Se nos sentimos fracos, limitados, ou inadequados, somos o melhor instrumento mediante o qual o poder de Deus pode operar. Isso não significa que Deus nos queira manter sob sua tutela como fracos. Ele se ocupa do crescimento das pessoas. Deseja que sejamos confiantes e tenhamos um forte senso de valor próprio.
 
A resposta de Deus:
“Respondeu-lhe o Senhor: Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o Senhor? Vai, pois, agora, e eu serei com a tua boca e te ensinarei o que hás de falar” (Ex 4.11-12)
 
Desculpa no 5 
 
“A h! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim” (Ex 4.13)
 
Quando Deus contestou todas as desculpas de Moisés, seus motivos secretos foram revelados; Ele não queria a designação. Acho que Moisés queria unir-se a Deus em sua obra - apenas tinha dificuldade em crer que Deus poderia torná-lo suficientemente capaz para o trabalho.
 
O mesmo que sucede com muitos de nós. Quando somos relutantes em obedecer a Deus, não é que não queremos. É que não nos sentimos suficientemente capazes. Mas é aí que precisamos tomar a Deus em Sua Palavra. Precisamos confiar nele o bastante para crer que ele é capaz de nos qualificar para a obra à qual nos chama. E quando estamos dispostos a avançar pela fé e a obedecê-Lo, vamos sentir a Deus como nunca antes.
Infelizmente, o poder que Deus prometeu a Moisés não lhe foi suficiente. Ele somente aquiesceu quando a ajuda de uma criatura finita lhe foi oferecida. Moisés falaria mediante Arão e isso o limitava em sua obra.
 
Conclusão
 
Moisés ficou 40 anos achando que era alguma coisa; 
40 anos aprendendo que não era nada; 
40 anos descobrindo que Deus era tudo.
 
Está tendo dificuldades de confiar que Ele é capaz de qualificá-lo para o trabalho ao qual o chamou?
 
Se Deus quisesse criaturas perfeitas para cooperar com ele, poderia ter usado anjos. Mas, em vez disso, ele nos escolheu. Se permitirmos que o Senhor trabalhe por nosso intermédio, vamos nos tornar uma evidência inquestionável de Seu poder.
Pela obediência, Moisés tornou-se um líder poderoso.
Poderoso o suficiente para mudar o curso da história.
E você está disposto a mudar o curso da história de sua vida, de sua família, do seu bairro, do seu trabalho ou quer para nas desculpas? O que você vai fazer com a palavra que o Senhor te entregou?
 
Paz
 
Pr. Ricardo Raymundo


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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